Especificação de DPS pela NBR 5410: Como escolher corretamente Classe, In, Imax e coordenar a proteção
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A escolha do Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) vai muito além de selecionar o modelo com a maior corrente de descarga. Uma especificação inadequada pode comprometer a proteção da instalação e reduzir a vida útil dos equipamentos.
A ABNT NBR 5410, em conjunto com a ABNT NBR 5419, estabelece critérios para a seleção e instalação dos DPS conforme as características da instalação elétrica, o nível de exposição a surtos e a sensibilidade das cargas.
Neste artigo, você entenderá como interpretar os principais parâmetros técnicos dos DPS e quais fatores devem ser considerados durante a especificação de um projeto elétrico.
O que a NBR 5410 considera na especificação do DPS?
A NBR 5410 determina que a proteção contra surtos deve ser compatível com as características da instalação e com os riscos envolvidos. Isso significa avaliar fatores como o tipo de alimentação, a presença de equipamentos eletrônicos sensíveis e, quando aplicável, a existência de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).
Além disso, o DPS deve possuir capacidade de descarga compatível com os surtos esperados e ser instalado de forma coordenada com os demais dispositivos de proteção da instalação.
Classes de DPS: quando utilizar cada uma?
A classificação dos DPS está relacionada à sua capacidade de suportar diferentes níveis de energia provenientes dos surtos.
Classe I
Indicada para instalações com SPDA ou locais sujeitos à incidência direta de descargas atmosféricas. Esses dispositivos suportam correntes de impulso elevadas e são instalados, normalmente, na entrada da instalação.
Classe II
É o tipo mais utilizado em instalações residenciais, comerciais e industriais de baixa tensão. Atua na proteção contra surtos provenientes da rede elétrica e costuma ser instalado nos quadros de distribuição.
Classe III
Destinado à proteção de equipamentos sensíveis, como servidores, sistemas de automação e equipamentos eletrônicos. Geralmente é instalado próximo ao equipamento protegido, complementando a atuação dos DPS Classe I e II.
Como interpretar os principais parâmetros do DPS
A ficha técnica de um DPS apresenta informações fundamentais para sua especificação.
Uc (Tensão Máxima de Operação Contínua): corresponde à maior tensão que pode permanecer aplicada ao dispositivo continuamente sem causar sua degradação.
Up (Nível de Proteção): representa a tensão residual que poderá atingir os equipamentos após a atuação do DPS. Quanto menor esse valor, maior tende a ser a proteção oferecida.
In (Corrente Nominal de Descarga): indica a corrente que o dispositivo suporta repetidamente durante sua vida útil, sendo um dos principais parâmetros para avaliar sua durabilidade.
Imax (Corrente Máxima de Descarga): representa o maior surto que o DPS consegue suportar em uma única ocorrência. Não deve ser utilizado como parâmetro de operação contínua.
Iimp (Corrente de Impulso): presente nos DPS Classe I, indica a capacidade do dispositivo de suportar correntes provenientes de descargas atmosféricas diretas.
O que é a coordenação entre DPS?
A coordenação consiste em distribuir a proteção em diferentes níveis da instalação elétrica para que cada DPS absorva parte da energia do surto.
Em projetos maiores, é comum utilizar:
- DPS Classe I na entrada da edificação;
- DPS Classe II nos quadros de distribuição;
- DPS Classe III próximos aos equipamentos mais sensíveis.
Essa configuração reduz a energia que chega aos equipamentos e aumenta a vida útil dos próprios dispositivos de proteção.
Erros mais comuns na especificação
Mesmo em projetos bem elaborados, alguns erros ainda são recorrentes:
- selecionar o DPS apenas pelo maior valor de Imax;
- utilizar Uc incompatível com a tensão da rede;
- instalar apenas um DPS para proteger toda a instalação;
- desconsiderar a coordenação entre os dispositivos;
- não verificar a necessidade de proteção prevista pela NBR 5419.
Evitar essas falhas aumenta a confiabilidade da instalação e reduz custos com manutenção e substituição de equipamentos.
A especificação correta de um DPS exige a análise conjunta de diversos parâmetros técnicos, como Classe, Uc, Up, In, Imax e Iimp, além da aplicação dos critérios estabelecidos pela NBR 5410 e, quando necessário, pela NBR 5419.
Mais do que atender às normas, uma especificação adequada garante maior segurança para a instalação, protege equipamentos eletrônicos e reduz os impactos causados por surtos elétricos ao longo da vida útil do sistema.
Ao escolher um DPS, o projetista deve considerar as características da instalação como um todo, garantindo que o dispositivo seja capaz de atuar de forma eficiente e coordenada com os demais elementos de proteção.